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Banho de Floresta
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    Banho de Floresta: Em busca do verde

    Por Carolina Barbosa
     

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    O alerta recente veio da prestigiada revista científica "The Lancet": as taxas de ansiedade e de depressão no último ano triplicaram em comparação a 2019. Em diferentes proporções, mas crescente no mundo inteiro (o Brasil, como se sabe, é um dos países mais ansiosos e depressivos do planeta), o panorama atual tem em comum um mesmo fator: a pandemia. Toda a incerteza, apreensão, preocupação e angústia advinda com o vírus trouxe à pauta discussões sobre a saúde mental e espiritual das pessoas. Nesse cenário, despontou, sobretudo entre os confinados nos grandes centros urbanos e em meio às selvas de pedras, a busca pela reconexão com a natureza. Sim, respirar é preciso. Eis que muitos descobriram um refúgio no chamado banho de floresta, prática para a qual o estado do Rio - com cinturões verdes que vão do Parque Nacional da Tijuca e dos respeitáveis 183 quilômetros de trilhas a oásis como Paraty e a Serra Fluminense -  e o resto do país (da Amazônia à Bahia, passando pelo Mato Grosso do Sul e muito mais) são um verdadeiro manancial.

    Desenvolvido no Japão, em 1982, para salvar a população de um grave impasse de saúde pública, intitulado "karoshi" (nome dado ao fenômeno da morte por excesso de trabalho), o shinrin-yoku (ou banho de floresta) nada mais era que o ato de imergir na natureza com o objetivo de se conectar de maneira integral ao ambiente. Seus efeitos na saúde dos adeptos logo despertaram o interesse dos pesquisadores - e do governo, claro. Desde então, os resultados se revelaram tão surpreendentes que a Agência Florestal do Japão incorporou a técnica como política pública nacional. A partir daí, o shinrin-yoku se popularizou e ganhou novas leituras no Ocidente, como a terapia florestal, representada pela Association of Nature and Forest Therapy (ANFT), com mais de 2 000 guias certificados por 66 países mundo afora. Muito além das tradições nipônicas, nações como Estados Unidos, China, Coreia do Sul e representantes da Europa trataram de chafurdar no tema. Conclusão? Mais de uma centena de pesquisas na área ganharam publicação na última década e meia. 

    Embora comum naquele país insular do Oceano Pacífico há tempos, onde a vegetação cobre 69% do território, a prescrição de banhos de floresta ganhou fôlego nos Estados Unidos, onde médicos receitam a prática em ao menos 34 estados. Para se ter uma ideia da abrangência em distintas especialidades, em 2018, o Instituto Hospital do Câncer de Atlanta inseriu em seus protocolos um programa de terapia florestal. Tudo isso baseado em diversos benefícios comprovados previamente por cientistas. Alguns deles: a descoberta de que árvores e plantas exalam uma substância chamada fitoncida que, ao ser inalada ou absorvida pela pele, potencializa a produção das células NK (Natural Killers), ligadas diretamente ao sistema imunológico. 

    Além disso, publicada em 2009, uma robusta pesquisa liderada pelo médico Yoshifumi Miyazaki, da Universidade de Chiba, no Japão, apontou que o contato com ambientes florestais reduziu em 13% a concentração de cortisol no sangue do grupo analisado (26 funcionários de escritório em um "mergulho" na floresta), em 2% a pressão sanguínea e em 18% a atividade do sistema nervoso simpático, à frente das respostas involuntárias diante de situações de perigo e estresse, além de uma diminuição de 6% na frequência cardíaca. Tem mais. Naquela turma, houve ainda uma melhora de 56% na atividade do sistema nervoso parassimpático, que responde a situações de calma. Noutras análises, constatou-se que os aromas presentes numa floresta agem de maneira positiva no corpo humano, minimizando o estresse, a irritação e a probabilidade de desenvolver depressão. Em suma, segundo estudiosos, caminhar em área verde, como propõe o banho de floresta, ajuda a estabilizar a pressão arterial e fortalecer a imunidade das pessoas, além de estimular a criatividade, a concentração, a memória e o desempenho cognitivo. 

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    As floresta do Rio e parques como Jardim Botânico e Parque Lage, bem como propriedades na região do Vale do Café, Maricá e Macaé, são o palco das incursões comandadas pela terapeuta integrativa e guia Helen Pomposelli criadora do selo de autoconhecimento, equilíbrio e bem-estar com foco em conteúdo e experiências holísticas  Per Vivere Bene. "Procuro lugares seguros e com ambientes naturais, vista deslumbrante e cachoeira, se possível", conta Helen, que costuma levar indivíduos ou grupos às oito da manhã para uma experiência de cerca de duas horas de duração. Depois da pandemia, ela viu o interesse do público dobrar. Tamanha a demanda (e retorno dos praticantes), acaba de lançar uma espécie de cartão de fidelidade, no qual pagam-se cinco "banhos de floresta" e o sexto fica como cortesia. "Como não é um exercício, mas sim uma caminhada terapêutica sem trilhas longas ou íngremes, não há restrição de idade, por exemplo. A ideia é a pessoa trabalhar a respiração, a audição, o olfato, a visão, o paladar, o tato, conectar-se aos quatro elementos (terra, fogo, ar e água). É um convite a andar devagar, usando todos os sentidos para observar os detalhes do mundo vivo ao nosso redor", explica Helen. 

    No percurso, Helen Pomposelli sugere que o interessado toque o tronco de uma árvore, deite-se no chão, atente-se aos sons e inale os cheiros da natureza. "A caminhada envolve práticas como a meditação ativa, técnicas de respiração, observação da natureza e até  aromaterapia natural", sintetiza. "Tem tanta empresa incorporando tetos solares e murais com imagens da natureza para reduzir o estresse e tornar os espaços mais agradáveis e propícios para o desenvolvimento cognitivo. Por que não tirar um momento do fim de semana ou da correria cotidiana para se conectar com a natureza, entrar numa floresta e liberar a sensação de calma, abrir o seu sexto sentido e um estado de espírito?", instiga ela, cujos banhos de floresta em grupo ocorrem sempre aos domingos de Lua Cheia (o próximo será em 16 de abril). Como se vê, para muitos males, o "remédio" pode ser um simples "banho tarja verde". 

    Sete passos para uma boa prática de banho de floresta:

    1 - Vista roupas confortáveis e leves, calce tênis, carregue repelente e protetor solar, uma garrafa de água e um lanche (frutas, castanhas ou sanduíche), além de saco para recolher o lixo e tapete ou canga para estender no chão. 

    2 - Largue seu telefone, câmera ou qualquer outra distração, a fim de que você possa estar totalmente presente na experiência. Mas um caderninho de anotações, caso tenha alguma inspiração, é bem-vindo.

    3 - Deixe para trás seus objetivos e expectativas. Ande sem rumo, permitindo que seu corpo o leve para onde quiser. 

    4 - Faça uma pausa de vez em quando para olhar, bem de perto, uma folha ou perceber a sensação do caminho sob seus pés. 

    5 - Encontre um local confortável para sentar e ouvir os sons ao seu redor. Veja como o comportamento dos pássaros e outros animais muda quando eles se acostumam com a sua presença. 

    6 - Se você for com outras pessoas, faça um acordo em resistir às falas até o fim da caminhada. O silêncio é fundamental. 

    7 - Quando você está ocupado no trabalho a semana toda, pode ser difícil ir mais devagar. Por isso, caminhar com um guia, que é um terapeuta florestal treinado, pode ajudá-lo a se sentir mais confortável e a encontrar o ambiente certo para atender às suas necessidades de relaxamento. 

     

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