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    Vinhos: Orgânicos e Naturais

    Por Carolina Barbosa

     

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    Protagonistas de uma série de bares - com cartas majoritariamente ou exclusivamente dedicadas a eles - e de uma leva de restaurantes estrelados, os vinhos orgânicos e naturais estão em alta. Mas, assim como outras tendências e modismos, sobretudo no universo etílico e gastronômico, o tema divide opiniões. Em meio aos que defendem a produção orgânica, sem conservantes e aditivos químicos, ou com o mínimo de intervenção, há ainda aqueles que simplesmente negam a sua definição como vinho ou que torcem o nariz para tais rótulos, por diversas razões, que vão dos meios de produção ao sabor e aparência.

    Mas o que são vinhos orgânicos? E naturais? Vamos por partes. "Os vinhos orgânicos são aqueles cujas uvas cultivadas nos vinhedos não levam agrotóxicos, ou seja, nada de aditivo sintético como fertilizantes, herbicidas ou pesticidas artificiais", explica a jornalista e especialista Raquel Fejgiel, formada pela ABS-Rio e pela WSET (Wine & Spirit Education Trust). Nesse conceito, o cerne é a saúde do solo. Ou seja, quanto mais ricos em materiais orgânicos, com sua biodiversidade preservadas, mais nutrientes complexos podem fornecer às videiras. De certa forma, esse cultivo é uma volta ao passado, antes de a agricultura ser massivamente baseada em agrotóxico, como ocorreu após o fim da Segunda Guerra Mundial. Oriundos dessa agricultura orgânica, os rótulos se valem de práticas sustentáveis e seguem regras e recebem certificações, tanto aqui no Brasil, como no resto do mundo. Dá para ver nas embalagens, à venda em empórios, mercadinhos, lojas especializadas e e-commerce.

     

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    Para além dos aspectos da agricultura, os chamados "vinhos naturais" envolvem também práticas da enologia. Por isso, vale reiterar: nem todo vinho orgânico é natural. Com a palavra, a especialista: "Apesar de não terem uma regra, uma regulamentação oficial, é consenso entre os produtores que esses vinhos devem ser produzidos sem nenhum tipo de intervenção, ou seja, sem aditivos para a preservação da uva ou correções. Logo, é basicamente o mosto da uva cultivado de forma orgânica ou biodinâmica, fermentado a partir de leveduras selvagens, sem insumos enológicos para corrigir acidez, cor, aroma ou uso de sulfitos como conservantes", clarifica a renomada sommelière paulistana Júlia Derado, formada em gestão hoteleira pela Universidade Anhembi Morumbi e especializada em Enologia e Viticultura na Itália. "Os vinhos mais convencionais, por exemplo, passam por reparações com elementos químicos para influenciar o estilo e o sabor da bebida. Por vezes, os enólogos usam até 150 aditivos para conferir determinado aroma ou característica específica que desejem", diferencia a experiente Júlia Derado.

    Os vinhos orgânicos e naturais ganham cada vez mais espaço em um movimento liderado pelos millennials (chegados ao mundo entre 1981 e 1996) - e estendido à geração Z (nascida entre meados dos anos 1990 e o fim de 2010) - de consumir menos álcool. Foi o que apontou um relatório do Bank Of America, feito com mais de 14 000 jovens, divulgado já nestes tempos pandêmicos. 

    Nesse contexto, beber menos (os especialistas recomendam até uma taça por dia para mulheres e no máximo duas para os homens) e melhor torna-se uma escolha bem importante. "As pessoas estão interessadas em saber a origem do que estão ingerindo e como isso impacta não só a saúde, mas o entorno, o meio ambiente", analisa Júlia Derado. "Daí que essa tendência, já crescente, só tende a aumentar. Estamos falando de vinhos naturais, vivos, com microrganismos que beneficiam o nosso organismo. Repare: quando você excede um pouco os limites de consumo de um vinho convencional é bem comum acordar no dia seguinte com sede, dor de cabeça e ressaca. Tudo isso é proveniente dos elementos sintéticos ali usados. Quando a gente se acostuma a beber os vinhos naturais, parece que uma mágica acontece e nos sentimos bem melhores", completa Júlia Derado.

     

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    Sem "maquiagens", digamos assim, esses vinhos naturais podem apresentar estéticas bem distintas, por vezes mais rústicas, com direito a turbidez no visual devido ao fato de não serem filtrados, notas mais originais das uvas, sabores mais intensos, assim como a acidez, e sedimentos na taça. "São escolhas do produtor, não um defeito, como se ensinava décadas atrás. Como qualquer outra bebida, os vinhos naturais vão agradar alguns paladares e outros nem tanto. Particularmente, já tive surpresas muito boas provando-os. Alguns me levaram a um lugar de aroma e paladar que jamais havia experimentado", ressalta Júlia Derado

    Desbravadora neste campo e adepta de uma tacinha, desde que o vinho seja bom, Raquel Fejgiel, com mais de 14.000 seguidores no Instagram, tem todo um ritual na hora de degustar. "Sempre me preocupo com a harmonização. Então, primeiro defino qual vai ser o menu (do almoço ou jantar) e depois escolho o vinho. Por exemplo: se for uma carne vermelha grelhada eu opto por um tinto mais encorpado, já no caso de um peixe grelhado, escolho um branco leve", conta ela, adepta de rótulos orgânicos como o branco francês Bee Famous Organic Chardonnay e o tinto espanhol Calandria Volandera.

    Na seara dos vinhos naturais, uma deliciosa tendência atual é o pét-nat (pétillant naturel, algo como "efervescente natural" na tradução para o português). Trata-se de um espumante natural engarrafado ainda durante a primeira fermentação, em geral mais seco e bem fresco. Como se vê, há um universo a se explorar - e degustar - nas prateleiras dos vinhos. Fique de olho! Tim-tim!

     

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