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    O seu trabalho cruza os campos da direção de arte, do set design e da botânica. Como se deu o início do seu interesse por essas áreas e como eles se atravessam na sua prática e pesquisa?

    "Acredito que todo interesse se inicia através da vivência. Nós vivemos num dos países com maior flora e fauna do mundo, a partir disso crescemos num ambiente completamente envolvido com a natureza. Desde pequena tive uma relação profunda com as plantas através da minha família. A experiência de viver dessa forma foi desenvolvendo meu olhar e despertando um afeto com a visualidade botânica. Fui percebendo que minha forma de expressão sempre foi visual, trazendo formas e texturas da natureza. A necessidade de externar sentimentos me fez buscar dentro da direção de arte/ set design uma troca entre as pessoas para construir narrativas que façam sentido para mim. Através da sensibilidade inserida na nossa cultura, busco a percepção da natureza como foco para o futuro. Além de pensar numa relação de cooperação com nosso entorno. A hibridação dos meios que vivemos, geram novos significados e entendimentos. A natureza é a maior fonte de inspiração que o ser humano sempre teve."

    Na descrição do seu novo projeto, a Nola, você usa o termo "botânica experimental". Pode falar um pouco mais sobre a ideia?

    "A ideia da Nola é movimentar relações benéficas esquecidas entre nós e a natureza. Povos esquecidos culturalmente têm na sua maioria um outro entendimento sobre esses assuntos. A partir de estudos e vivências de campo, fui percebendo a necessidade de trazer para o meio que vivemos novas formas de existência. Inicialmente a Nola tem como objetivo reaproximar as pessoas das plantas e gerar um consumo consciente. Materialidades esquecidas ou até mesmo não reconhecidas no valor simbólico e essencial para nossa sobrevivência. Através das mídias de nosso tempo, buscar a experimentação de novos olhares e integrar a botânica como foco de estudo."

     

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    Sabemos que as plantas podem mudar completamente um espaço. Nesse momento em que estamos mais restritos às nossas casas, como elas podem transformar os diferentes ambientes da casa? 

    "Nós esquecemos da natureza. Nos tempos atuais a relação que desenvolvemos foi através da fuga do nosso cotidiano para ir em busca em outros lugares quase sempre numa experiência de turismo. Com a crise mundial a partir da pandemia, tivemos que voltar às nossas casas e reabilitá-las de uma forma que seja benéfica para nós. Acredito que toda crise gera novos comportamentos que podem ser um bom momento de questionar certos padrões estabelecidos que precisam ser quebrados. Precisamos ter uma relação de cooperação com a natureza. Ter uma planta em casa, gera naturalmente uma nova percepção com o tempo e o espaço. Não é sobre ter uma planta em casa como um objeto de decoração, mas perceber a importância delas em nossas vidas. As plantas dialogam diretamente com a temperatura, luz e umidade do entorno onde elas habitam. Existem inúmeros estudos que afirmam que as plantas são companhias essenciais para nós, proporcionando certos estímulos positivos internamente. A natureza está dentro da gente e não é apenas um plano de fundo ou uma paisagem. "

    Quais tipos de plantas são mais recomendadas de estarem em espaços domésticos e quais não? 

    "Para escolher uma planta para um ambiente, precisamos antes entender como é a entrada de luz, vento e umidade do espaço doméstico que vivemos. A partir dessa percepção, estudamos quais são as plantas que possivelmente vivem aproximadamente dessa forma na natureza. Samambaias são plantas de florestas fechadas, com alto índice de umidade, sem vento e sol direto. Logicamente não são ideias para varandas que batem sol e venta o dia todo. Ter uma planta também é um processo de estudo. Cada planta vem e nasce de um determinado clima. Eu acredito que praticamente podemos ter qualquer planta dentro de casa, entendendo sempre as necessidades delas. Observar suas reações, saber a quantidade de rega, adubar no tempo certo e construir um mini ambiente propício para seu crescimento são atitudes essenciais para a sobrevivência da planta. Às vezes escolhemos as espécies pela beleza e esquecemos do nosso dia a dia de correria. Não conseguimos dar a atenção que elas precisam. Por isso, aconselho sempre ir devagar e ir observando cada uma. Começar por uma jiboia, espada de São Jorge ou bambu da sorte. Depois ir crescendo até sua casa ser possivelmente um lugar saudável para todas as plantas."

     

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